Foi bonito de ver, lá pros lados de Maraã, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã. O povo da comunidade Nova Jerusalém do Acará celebrou a primeira pescaria manejada de pirarucu, aquele peixe graúdo que é orgulho da Amazônia e sustento de muita família ribeirinha.
Com o apoio do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Amazonas (Idam), os pescadores tiraram da água 160 pirarucus, tudo dentro da cota autorizada pelo Ibama. A pescaria, feita no fim de outubro, garantiu um faturamento de R$ 57 mil — um alento e tanto pra comunidade.
A engenheira de pesca Maria José Mendonça, junto com o técnico agropecuário Eliakim Pinheiro Amorim, acompanharam tudo de pertinho. Segundo ela, o trabalho começou no dia 26 e encerrou no dia 31 de outubro, quando a cota foi batida.
“Tivemos a participação de 48 pescadoras e pescadores da comunidade, chegando a totalizar mais de 9,5 toneladas de pescado e alcançando a cota estabelecida na autorização de pesca”, destacou a engenheira de pesca.
Tudo foi feito dentro das regras: os peixes foram lacrados na Unidade de Manejo Sustentável de Pirarucu (UMP) e acompanhados das planilhas biométricas, que registram peso, tamanho e outras informações exigidas pelo Ibama.
Mas essa conquista não veio do nada, não. Foi fruto de anos de preparo e aprendizado. Desde setembro, o pessoal do Idam e da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) vêm trabalhando junto com a comunidade. Nesse tempo, realizaram o curso “Monitoramento e Boas Práticas de Manipulação do Pescado”, onde ensinaram o passo a passo da pesca sustentável, a importância das fichas de monitoramento e os cuidados com a higiene no trato do peixe.
Na prática, os participantes aprenderam o pré-beneficiamento do pirarucu — aquela parte de lavar, sangrar, eviscerar e pesar o peixe. Também foi mostrado como identificar o tamanho, sexo e estágio reprodutivo e como fazer a colocação do lacre no animal, tudo acompanhado por monitores da própria comunidade.
Essa pescaria foi só o começo, mas já mostrou que o manejo bem feito dá certo. O povo de Nova Jerusalém do Acará provou que dá pra viver da floresta sem destruir, cuidando e colhendo no tempo certo.

(*) Fonte: Secom



