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Kiko Zambianchi completa 66 anos; compositor de “Primeiros Erros” marcou gerações da música brasileira

Nascido em Ribeirão Preto, cantor e guitarrista construiu uma carreira de sucesso com canções que atravessaram décadas e ganharam novas versões, inclusive nos palcos do Capital Inicial e nas arquibancadas do futebol.

O dia 14 de outubro marca o nascimento de um dos nomes importantes do rock brasileiro dos anos 1980. Francisco José Zambianchi, conhecido artisticamente como Kiko Zambianchi, nasceu em 14 de outubro de 1960, em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. Cantor, guitarrista e compositor, ele completa 66 anos nesta quarta-feira e permanece ligado a uma das canções mais populares da música nacional: “Primeiros Erros (Chove)”.

A trajetória de Kiko começou ainda na adolescência, quando passou a tocar guitarra e a participar de festivais estudantis e peças de teatro. Antes de conquistar espaço no cenário musical, realizou apresentações pelo interior paulista e integrou a banda Vida de Rua. Aos 23 anos, mudou-se para a capital, São Paulo, onde conseguiu um contrato com a gravadora EMI em apenas um mês.

A projeção nacional veio com “Rolam as Pedras”, single que apresentou Kiko ao público como cantor. Paralelamente, suas composições também despertavam o interesse de outros artistas. Em 1985, Erasmo Carlos gravou “Manchas e Intrigas”, música assinada por Zambianchi e incluída no álbum Erasmo Carlos.

Uma canção que atravessou gerações

Foi durante um período marcado pela síndrome do pânico e pela solidão que Kiko compôs “Primeiros Erros (Chove)”. Lançada no álbum Choque, a música se tornaria o maior sucesso de sua carreira e uma das composições mais reconhecidas do rock nacional.

A canção ganhou força inicialmente com a execução em uma rádio de grande audiência na região do Grande ABC, na Grande São Paulo. A repercussão se espalhou para outras emissoras e culminou na exibição de um videoclipe no Fantástico, da TV Globo, ampliando o alcance da obra.

O sucesso continuou nos anos seguintes. Em 1995, a cantora Simony regravou “Primeiros Erros”, e sua versão integrou a trilha sonora da novela Cara e Coroa, da TV Globo. Em 1997, Kiko lançou o álbum KZ, no qual revisitou composições de sua própria carreira e apresentou músicas inéditas.

Outro momento decisivo ocorreu em 2000, quando foi convidado pelo Capital Inicial para participar do projeto Acústico MTV: Capital Inicial. Além de tocar violão e fazer backing vocal ao longo do álbum, Kiko participou da gravação de uma nova versão de “Primeiros Erros”, lançada como single e transformada em um dos grandes sucessos da banda.

A parceria ajudou a apresentar a composição a uma nova geração de ouvintes. A música permanece no repertório do Capital Inicial e segue presente nos shows do grupo.

Do rock aos palcos e às arquibancadas

A influência de Kiko Zambianchi não se restringiu à música pop e ao rock. Em 1989, o artista lançou uma versão de “Hey Jude”, clássico dos Beatles, incluída na trilha sonora da novela Top Model, também da TV Globo.

Ele ainda desenvolveu trabalhos ligados ao teatro. Em 1996, recebeu indicação ao Prêmio APETESP pela trilha sonora da peça As Priscilas de Elvis, de Ana Ferreira. Dois anos depois, assinou a música de Da Boca pra Fora, espetáculo de Marcelo Rubens Paiva. Entre 2011 e 2012, também participou da série juvenil Julie e os Fantasmas, interpretando o personagem Josias.

Um dos exemplos mais curiosos da longevidade de sua obra surgiu no futebol. A partir de 2017, torcedores do Flamengo adaptaram a melodia de “Primeiros Erros” para criar “Em Dezembro de 1981”, canto que celebra a vitória rubro-negra por 3 a 0 sobre o Liverpool, na decisão do Mundial Interclubes de 1981.

A versão ganhou popularidade nas arquibancadas e ultrapassou as fronteiras brasileiras. Em 2023, o jornal espanhol Marca a elegeu como o melhor canto de torcida do mundo, demonstrando como uma composição originalmente ligada ao rock pôde ganhar novos significados na cultura esportiva.

Novos projetos e alcance internacional

Ao longo dos anos, Kiko continuou investindo em novas composições e parcerias. Em dezembro de 2017, participou da gravação de “Cobra Criada”, música de Bezerra da Silva, em uma versão com a banda Armada.

Em 2021, “Primeiros Erros” ganhou uma versão em inglês, intitulada “First Mistakes”, gravada pelo norte-americano Derick Thompson, ex-vocalista da banda Strive. O lançamento alcançou quase 1 milhão de visualizações no YouTube em oito meses de divulgação, reforçando o potencial de circulação internacional da composição.

No ano seguinte, em 2 de agosto de 2022, Kiko lançou “Trees That Fall”, parceria com a cantora norte-americana Rose Short. A música integrou a trilha sonora original do curta-metragem Leaves, apresentado e premiado em festivais ao longo daquele ano.

Em março de 2022, o Capital Inicial voltou a homenagear a composição ao gravar o DVD ao vivo Capital Inicial 4.0, com participação de Vitor Kley em “Primeiros Erros”. Em julho de 2023, Kiko lançou “Bem Longe”, ao lado de Abel Capella, acompanhada de videoclipe dirigido por Roberto Giovannetti Pahim.

Já em novembro daquele ano, apresentou “Quero Viver a Vida”, canção inspirada no período de isolamento provocado pela pandemia de Covid-19 e gravada no lendário Abbey Road Studios, em Londres.

Um legado que continua vivo

A força de “Primeiros Erros” ajuda a dimensionar a importância de Kiko Zambianchi para a música brasileira. Com dezenas de regravações e diferentes interpretações, a canção ultrapassou o contexto em que foi criada e passou a fazer parte da memória afetiva de públicos de diferentes idades.

Sua trajetória mostra como uma composição pode ganhar vida própria, atravessando gerações, estilos musicais e até manifestações populares distantes de sua origem. Aos 66 anos, Kiko segue associado a uma obra que encontrou espaço no rádio, na televisão, nos palcos e nas arquibancadas.

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Neste 14 de outubro, lembrar o nascimento do artista é também reconhecer a permanência de uma canção que continua sendo cantada muito depois de seu lançamento — uma prova de que algumas músicas deixam de pertencer apenas a quem as criou e passam a fazer parte da história de todos que se identificam com elas.

(*)Texto baseado em informações públicas

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