Em 25 de agosto de 2009, o Amazonas perdia Anibal Augusto Ferro de Madureira Beça Neto, conhecido literariamente como Anibal Beça. Nascido em Manaus, em 13 de setembro de 1946, o escritor, poeta, jornalista, compositor, tradutor e teatrólogo deixou uma trajetória marcada pela produção artística e pela defesa da cultura amazônica.
Ao longo da carreira, Anibal Beça atuou em praticamente todos os jornais de Manaus, exercendo funções de repórter, redator e editor. Também foi diretor de produção da TV Cultura do Amazonas, conselheiro de Cultura e consultor da Secretaria de Cultura do Estado. Na área institucional, ocupou a vice-presidência da União Brasileira de Escritores do Amazonas (UBE-AM), presidiu o Sindicato dos Escritores do Estado do Amazonas e o Conselho Municipal de Cultura, além de integrar a Academia Amazonense de Letras.
Sua trajetória literária começou ainda jovem. Em 2007, quando completava 41 anos de atividade literária e 45 anos de atuação na música popular brasileira, já acumulava uma extensa produção e o reconhecimento conquistado em festivais de música por diferentes regiões do país.
Um dos momentos de maior destaque veio em 1994, quando recebeu o Prêmio Nacional Nestlé, na sexta edição da premiação, pelo livro “Suíte para os Habitantes da Noite”. A obra foi escolhida entre 7.038 livros inscritos de todo o Brasil, consolidando o nome do escritor amazonense no cenário literário nacional.
A atuação de Anibal Beça também ultrapassou as fronteiras brasileiras. Defensor da integração cultural latino-americana, participou de festivais e encontros internacionais de poesia, além de traduzir autores de países vizinhos. Representou o Brasil no IX Festival Internacional de Poesia de Medellín, na Colômbia, no III Encontro Ulrika de Escritores, em Bogotá, e no VI Encuentro Internacional de Escritores de Monterrey, no México.
Sua poesia alcançou publicações no Brasil e no exterior, aparecendo em revistas como “Poesia Sempre”, “Casa de las Américas”, de Cuba, “Prometeo” e “Ulrika”, da Colômbia, além de periódicos do México, Argentina e Estados Unidos. A presença internacional ajudou a aproximar a literatura produzida na Amazônia de outros centros culturais do continente.
Entre seus livros estão “Convite Frugal”, publicado em 1966; “Filhos da Várzea” e “Hora Nua”, ambos de 1984; “Noite Desmedida” e “Mínima Fratura”, de 1987; “Quem foi ao vento, perdeu o assento”, de 1988; “Marupiara – Antologia de novos poetas do Amazonas”, organizada em 1989; “Suíte para os Habitantes da Noite”, de 1995; “Ter/na Colheita” e “Banda da Asa – poemas reunidos”, de 1999; além de “Folhas da Selva”, “Chá das Quatro”, “Águas de Belém” e “Águas de Manaus”, publicados em 2006. Também deixou a reunião de poemas “Palavra Parelha”, que incorporava trabalhos como “Cinza dos Minutos”, “Chuva de Fogo”, “Lâmina Aguda” e “Cantata de Cabeceira”.
Na música, sua produção igualmente ganhou espaço. Entre os trabalhos estão “Marapatá”, de 1984, em parceria com Armando de Paula; “O Poeta Solta a Voz”, de 2001; “Duas Águas”, de 2006; e “Itacoatiara”, composição musicalizada por Armando de Paula e interpretada por Antonio Pereira.
Anibal Beça morreu aos 62 anos, mas sua obra permaneceu como parte importante da memória cultural do Amazonas. Entre versos, canções, traduções e atividades em defesa da cultura, construiu uma trajetória que ajudou a projetar a produção artística amazonense para além das fronteiras da região.
Hoje, 25 de agosto, o “Hoje no Passado” não recorda apenas a morte de um escritor. Recorda uma voz que transformou a experiência amazônica em palavra, música e poesia. Porque alguns artistas partem, mas continuam presentes cada vez que seus versos encontram novos leitores.
(*) Texto produzido com base em informações Públicas.






