Por trás de remédios que estão nas prateleiras das farmácias brasileiras, a EMS construiu um império familiar que agora enfrenta dois desafios: avançar no mercado das chamadas canetas e definir quem vai assumir o comando no futuro.
A farmacêutica é controlada por Carlos Sanchez, dono de 75% do capital e presidente do conselho. A próxima geração já participa da administração, mas a palavra final sobre a sucessão continua nas mãos dele. O sobrinho Marcus Sanchez divide a gestão com os primos Gabriel e Emiliano, cada um responsável por áreas diferentes da empresa.
A história começou em 1950, com uma farmácia aberta pelo avô da família em Santo André, São Paulo. A fabricação de medicamentos veio em 1964, e a expansão ganhou força com os genéricos. Agora, a disputa vai além dos remédios tradicionais: a EMS investiu mais de R$ 1,5 bilhão em uma plataforma de peptídeos, moléculas usadas em terapias como as de semaglutida.
Olha só como o mercado mudou: segundo dados da consultoria IQVIA citados pelo InvestNews, os medicamentos da classe GLP-1, que inclui Ozempic e Mounjaro, passaram do quarto para o primeiro lugar em vendas em valor no varejo farmacêutico nos 12 meses encerrados em julho de 2026. Enquanto isso, as vendas de genéricos em unidades cresceram 8,43% no mesmo período.
A EMS também tenta ampliar seu espaço por meio de aquisições. Em março de 2026, assinou um acordo para comprar a Medley, marca de genéricos da francesa Sanofi. A operação ainda depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Antes disso, uma tentativa de combinação com a concorrente Hypera havia sido rejeitada em 2024.
Na corrida pelas canetas, a empresa lançou o Ozivy, medicamento à base de semaglutida aprovado pela Anvisa em maio de 2026. O produto não é classificado como genérico, mas como um medicamento novo, análogo sintético de um produto biológico, indicado para diabetes tipo 2. A concorrência também avança: a Hypera lançou o Semavy em setembro, fabricado pela indiana Sun Pharma.
Por essas bandas do mercado farmacêutico, a disputa agora envolve tecnologia, marcas conhecidas, aquisições bilionárias e o futuro de uma empresa construída ao longo de décadas. A EMS quer continuar crescendo, mas uma questão permanece dentro da família Sanchez: quem terá a palavra final quando Carlos deixar o comando?
(*) Baseado em informações do InvestNews.






