Olha só: o Paraguai quer transformar parte da energia de Itaipu em combustível para a inteligência artificial. O governo dos Estados Unidos anunciou um acordo entre a americana Crusoe e a paraguaia Araico para construir um centro de IA alimentado pela eletricidade da usina binacional.
Sem divulgar valores, o anúncio classifica o empreendimento como um dos maiores investimentos privados da história paraguaia. A estrutura deverá atender clientes de computação em nuvem dos Estados Unidos e da América Latina.
O detalhe é que Itaipu pertence aos dois países, que têm direito a 50% da energia gerada. Na prática, porém, Brasil e Paraguai consomem quantidades diferentes: o Brasil utiliza cerca de 69% da produção da usina, enquanto o Paraguai fica com aproximadamente 31%.
Historicamente, a parcela paraguaia que não é consumida no próprio país é vendida ao Brasil. Só que esse excedente vem diminuindo com o crescimento da demanda interna e a chegada de novos projetos, incluindo empreendimentos ligados à tecnologia.
Agora, a discussão ganha outro peso: um acordo entre os dois países prevê mudanças nas regras de comercialização da energia excedente a partir de 2027, permitindo ao Paraguai negociar diretamente com outros mercados. O texto ainda depende da aprovação dos Congressos dos dois países.
E tem mais: a tarifa de Itaipu está fixada em US$ 19,28 por quilowatt até o fim de 2026. Como o Paraguai utiliza menos energia do que sua cota permite, os consumidores brasileiros acabam arcando com uma parcela expressiva dos custos da usina. A expansão dos projetos tecnológicos no país vizinho pode mudar o destino dessa energia — e mexer numa relação que há décadas conecta os dois lados da fronteira.
(*) Baseado em informações de The News






